Casa São Cristóvão, 1912-2012: um século de serviços sociais em Toronto

Ao encontro dos moradores do bairro

Um estudo feito pela cidade nos anos 1940 descreveu o bairro da Casa São Cristóvão como o mais densamente populacionada, e descrevendo-o como favela. Nos finais dos anos 1950, a área via-se afetada pelo crescimento urbano e pelo o boom da construção do pós-guerra. Várias casas foram demolidas para a renovação das escolas Ryerson e King Edward, e para a expansão do Hospital Toronto Western e da Universidade de Toronto, o que viria a aumentar os problemas com a falta de habitação acessível. No meio destes desenvolvimentos, a Casa desempenhou um papel mediador entre o Conselho do Planeamento da cidade e a população do bairro. Nessa altura, enquanto que a tendência nas casas de acolhimento na América era para uma maior prestação de serviços a partir de um edíficio central, negligênciando assim a método tradicional de ir ao encontro das pessoas no bairro, os assistentes da Casa comprometeram-se a manter o seu serviço descentralizado em todas as suas tarefas.

Imigração no pós-guerra

A grande vaga de imigração europeia para o Canadá nas décadas após o conflito mundial, trouxe mudanças significativas na populção do bairro. Em meados da década de 1940, 60% da população era Judaica, mas em 1958, 60% dos residentes do bairro já eram Católicos Romanos. Esta mudança refletiu-se nos membros da Casa, entre os quais se podiam encontrar representantes de mais de trinta nacionalidades. Entre eles contavam-se refugiados de partes da Europa devastadas pela guerra, muitos dos quais acabaram por não permanecer no distrito durante muito tempo, mudando-se para outras áreas da cidade assim que a sua situação económica melhorasse. A partir dessa altura, o grupo étnico mais predominante na Casa eram os portugueses, seguidos dos italianos, ucranianos, alemães e húngaros. Aos assistentes da Casa preocupava-lhes a relutância dos imigrantes adultos em socializarem com outros grupos. Esse problema seria resolvido em 1953, quando um subsídio cívico permitu a contratação de um assistente social experiente e poliglóta que veio a desenvolver programas socias e de recreação para os adultos não-anglófonos. No final desse ano, a participação mensal nos vinte e quatro programas criados chegava às 750 pessoas. Muitos dos adultos que viviam em pousadas ou quartos alugados vinham até à Casa aos domingos à tarde para se reunirem com os amigos e comer uma refeição. O caráter informal das aulas de Inglês lecionadas na Casa por voluntários era mais apelativo para aqueles que achavam as aulas oferecidas pelo Conselho de Educação de Toronto demasiado estruturadas.

Desde que os portugueses se começaram a instalar em Toronto em meados da década de 1950 que a Casa São Cristóvão fez esforços específicos para os servir. Estes eram predominantemente homens, cujas famílias se encontravam ainda em Portugal. Inicialmente, a Casa oferecia salas para a reunião dos clubes formados por esses homens. Mais tarde, à medida que as suas famílias iam chegando ao Canadá, as crianças matriculavam-se no infantário e nos programas para jovens. Era também comum nessa altura as famílias portuguesas organizarem festas na Casa.

Assistência aos jovens

Nos anos 1950, a Casa começou a dedicar maior atenção às crianças e aos jovens com necessidades especiais. O acolhimeno seletivo, o ênfase em serviço individualizado, e novos procedimentos na manutenção de ficheiros foram introduzidos, refletindo a tendência na assistência social aos jovens em em priveligiar a terâpia. O trabalho com a juventude foi identificado pela Casa na altura como a principal prioridade, "devido à seriedade dos problemas pessoais e sociais... encontrados nesta faixa etária" pelos assistentes da Casa, incluindo o desemprego crónico, crime, prostituição, tóxicodependência, e a alta taxa de abandono escolar. Em 1955, a Casa criou um novo clube especialmente para um grupo de rapazes que se costumava juntar em frente do edíficio "ameaçando 'invadir a fortaleza'," onde estes podiam praticar desporto, jogar bilhar, ping pong e boxe.

A Parada Anual das Crianças da Páscoa

A Diretora de Programas Jean Alderwood introduziu a Parada das Crianças da Pascoa que percorria as ruas do bairro todos os anos, marcando o final dos programas infantis das férias da Páscoa. As crianças criavam os seus próprios trajes e máscaras, e por vezes, celebridades, como os membros do popular programa de televisão Howdy Doody Show, juntavam-se às festividades.

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