Casa São Cristóvão, 1912-2012: um século de serviços sociais em Toronto

Sindicalização dos trabalhadores da Casa São Cristóvão

Nos anos 1970, as restrições financeiras começaram a afetar gravemente o funcionamento da Casa São Cristóvão. O número de centros comunitários no bairro havia duplicado ao longo dos anos, tornando o bairro na àrea com o maior número de centros sociais por cidadão em toda a cidade. Isto intensificou a competição entre os centros que se debatiam por fundos limitados, o que prejudicava principalmente os centros mais novos. Ao mesmo tempo, pressões políticas sobre as fontes de financiamento exigiam que o dinheiro fosse redistribuido da baixa para as áreas suburbanas. Em função destas dificulades, vários programas foram cancelados, os trabalhadores da Casa foram reorganizados, e as posições deixadas vagas por licenças de maternidade ou doença ficaram por preencher. A instabilidade resultante e a preocupação com a manutenção do emprego levou à sindicalização dos trabalhadores da Casa no Outono de 1981. A filial sindical (local) da Casa uniou-se com a filial da St. Stephen's Community House e formou a Local 2289 do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Canadá (Canadian Union of Public Employees), e o primeiro contrato coletivo foi assinado em Agosto de 1982.

Prorgrama de Apoio Doméstico

Em 1980, a Casa São Cristóvão inaugurou o seu programa de Apoio Doméstico. Em colaboração com o programa Meals on Wheels (refeições ao domicílio), este oferecia ajuda aos idosos e às pessoas com dificuldades motrizes, incapazes de lidarem com as suas próprias tarefas domésticas, mas que não precisavam, ou não desejavam, ser internadas numa instituição de retiro. Ajudantes domésticos foram contratados para tratar de assuntos no Banco, fazer compras, limpezas e lavar a roupa; outros voluntários foram recrutados para fazer visitas sociais aos indivíduos que se encontravam sós e presos em casa. A maioria dos clientes do programa de Apoio Doméstico tinham mais de 70 anos e viviam em pequenas pensões ou quartos alugados. Muitos dos participantes não tinham família imediata para tratar de sí e dependiam da ajuda oferecida pelos assistentes e voluntários da Casa; em muitos casos fazendo a diferença entre viverem em suas casas ou terem de ficar num lar de idosos ou perder a sua independência de outras maneiras.

Jovens líderes e programas de emprego

Há vários anos que as qualidades de liderança faziam parte dos programas para os jovens oferecidos pela Casa São Cristóvão, mas foi desde os finais dos anos 1970 que os programas para a juventude deixaram de privilegiar as atividades recreativas e procuparam-se em desenvolver qualidades de lidereança e aptidões para a vida. Em 1981, quinze jovens graduaram-se no primeiro Programa de Aptidões de Vida para Adolescentes. Aí lidaram com questões relacionadas com a educação, sexualidade, relações familiares e emprego. Após um estudo conduzido em 1983 pela recém-formada Unidade de Projetos Especiais da Casa, foi criada uma série de programas dedicados a combater o desemprego entre os jovens. Entre eles o programa MicroCHIP, que oferecia treino e experiência laboral para jovens em pequenas empresas de serviço a computadores, e contabilidade; o Centro de Aconselhamento ao Emprego Jovem, um programa vasto, financiado pelo governo do Ontário, e sediado no 1312 Queen St. West, que assistiu centenas de jovens desempregados; e o programa 'FUTURES' (Futuros), que subsidiava os empregadores que contratassem e treinassem estes jovens adultos. Todos os programas de emprego para a juventude mudou-se para o 195 Liberty Avenue, em Parkdale, no início da década de 1990.

Ponto de Encontro para Adultos desabrigados

Em 1986, a Casa São Cristóvão começou a responder às necessidades dos adultos solteiros, isolados, e de indivíduos sem abrigo, abrindo o Ponto de Encontro para Adultos (Meeting Place Adult Drop-in) no 761 da Queen Street West. No ano seguinte, o programa expandiu-se, contando com 714 participantes, os quais podiam gozar cinco tardes por semana de atividades sociais e recreativas; serões com eventos especiais; e intervenção em momentos de crise. Em 1988, dois novos programas foram adicionados: o Sky Project Courier Service, um programa de auto-ajuda para pessoas com dependências em que os membros entregavam encomendas em nome da Casa; e o Radio Drop-in, um show de rádio semanal na estação CKLN, que focava as questões de habitação e pobreza, produzido pelos membros do Ponto de Encontro. Este programa cresceu gradualmente ao longo dos anos, contando com 1,200 membros no final da década. Em 1995 o Ponto de Encontro mudou-se para o antigo edifício do CIBC, no 588 Queen St. West.

Saída de Kensington para 248 Ossington Avenue

Em 1980, a discussão sobre a mudança de local voltou a estar na mesa da direção da Casa São Cristóvão, isto à medida que a estudava as mudanças no bairro, as tendências de financiamento futuras, e a coordenação de serviços existentes. O declínio da habitação barata e do número de crianças modificou significativamente as caracteristicas do bairro, que na altura se encontrava também a perder o seu papel tradicional como área de receção de novos imigrantes, que agora se instalavam cada vez mais nas áreas a norte da auto-estrada 401. O Conselho Diretivo concluíu que os serviços oferecidos pela Casa eram mais necessários na zona a oeste de Bathurst Street, onde se encontrava uma grande concentração de residentes de língua portuguesa e em que os serviços disponíveis eram poucos. Em inícios de 1985, o local na 84 Augusta Ave. foi vendido e os fundos gerados dessa venda foram investidos na compra de uma casa na 53 Argyle Street. Alguns dos serviços passaram para a Igreja Unida Westennial, no 248 Ossington Avenue, onde a nova sede da Casa seria construída. Depois de uma vasta campanha de angariação de fundos, a Casa começou finalmente a construir o novo edifício em Fevereiro de 1989, e abriria portas em Dezembro do ano seguinte. Em 1997, a congregação da Igreja Unida desintegrou-se e transferiu essa  propriedade definitivamente para a Casa.


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