Casa São Cristóvão, 1912-2012: um século de serviços sociais em Toronto

Missão e Princípios Orientadores para os anos 1990s

Nos anos 1990, a Missão e os Princípios Orientadores da Casa São Cristóvão reafirmavam a sua dedicação ao modelo de desenvolvimento comunitário cuja raizes remontavam aos anos 1960. Durante esta década, a advocacia social ganhou ainda mais peso nas atividades da Casa, fazendo parte de uma estratégia multifacetada para melhorar as vidas dos membros da comunidade mais desavantajados.

"A Missão

A Casa São Cristóvão tem como propósito central facilitar os indivíduos, famílias e grupos desavantajados na comunidade a ganharem maior controlo sobre as suas vidas e sobre a sua comunidade.

Príncipios Orientadores para a Década de 1990

A Casa São Cristóvão trabalhará em parceria com a comunidade para promover mudanças pessoais e sociais de forma a alcançar uma sociedade segura, saudável e inclusiva para todos. Para este fim, trabalharemos com os nossos recursos e com as forças da comunidade para:
•    construir pontes entre culturas, sexos, gerações, e bairros;

•    promover o acesso e a participação total na sociedade, combatendo barreiras como a iliteracia, rendimentos inadequados, habitação inacessível, e descriminação de todas as espécies;

•    ajudar as pessoas a alcançar as suas necessidades indivíduais e familiares;

•    oferecer ferramentas e oportunidades para que as pessoas possam controlar as suas prórprias vidas e assumir posições de liderança na comunidade;

•    levar a cabo iniciativas públicas para promover mudanças nos sistemas sociais de modo a assegurar dignidade, qualidade de vida, e oportunidades iguais para todos 

Advogando pela habitação social

A crise na habitação que se fazia sentir no bairro foi identificada pela Casa São Cristóvão como uma das principais prioridades para o ano de 1989. No ano seguinte, a Casa contratou um Assistente para o Desenvolvimento Habitacional e criou o Programa de Promoção e Desenvolvimento à Habitação. Este programa tomou uma posição de liderança dentro do tema, oferecendo a oportunidade aos indivíduos com baixos rendimentos em aprender mais acerca das várias forças que afetam a habitação, e a possibilidade de trabalhar coletivamente para melhorar as condições de habitação existentes. Em 1991, como membro do Grupo de Habitação do Sudoeste de Toronto, a Casa contribuiu para o desenvolvimento de um complexo habitacional com 64 unidades, e disponibilizando residências económicamente acessíveis a alguns dos participantes da Casa e às suas famílias, particularmente os de origem indígena.

As 'Assembleias da Vila': fórums de discussão comunitários

Nos anos 1990s, a Casa São Cristóvão inaugurou uma série de 'Assembleias da Vila' (Town Hall Meeting Series). Estes fóruns ofereciam a oportunidade aos membros da comunidade em expressarem as suas preocupações e discutir problemas e soluções com especialistas variados e representantes políticos locais. Através destas discussões públicas, a Casa aprendiam e acumulava informação sobre os assuntos que mais preocupavam os residentes da comunidade.

Os Serviços de Acolhimento no Bairro

O bairro da Little Portugal para onde a Casa São Cristóvão se mudou nos anos 1980 continuava a ser uma das áreas de acolhimento mais procuradas pelos imigrantes e refugiados recém-chegados ao Canadá. Continuando uma longa tradição de serviços de acolhimento, a Casa criou em 1990 um novo programa de Serviços de Acolhimento ao Bairro, que oferecia informação, referências, e advocacia para novos imigrantes, especialmente no respeitante aos procedimentos legais da imigração e o acesso a serviços vários, emprego e formação. Este patrocinava também aulas de ESL (Inglês Como Segunda Língua) através do Conselho de Educação de Toronto.

O Programa Alzheimers

Quando a doença Alzheimers é diagnosticada numa família cujos os membros têm dificuldades em falar Inglês, ou possuem pouco conhecimento sobre os serviços de saúde canadianos, as consequíencias podem ser devastadoras. O Programa Alzheimers fundado em 1990 foi o primeiro programa multilingue a lidar com esse problema no Canadá. Os seus participantes provinham de várias nacionalidades, incluíndo Barbados, China, Jamaica, Polónia, Portugal e Letónia. Um programa de educação pública compreensiva foi levado a cabo na comunindade e nos orgãos de comunicação multiculturais - especialmente os de língua portuguesa - de forma a aumentar a sensibilização das pessoas para com esta doença. Muitos profissionais de saúde exprimiram o seu interesse no programa e enorajaram a Casa a levar a cabo estudos sobre o assunto.

Desenvolvimento Económico Comunitário e o Projeto Minaake

Em 1992, a Casa introduziu o projeto de Desenvolvimento Económico Comunitário no Ponto de Encontro para Adultos (Meeting Place Adult Drop-in). Com esta iniciativa a Casa procurava oferecer emprego flexível e rendimentos suplementares aos seus participantes. A primeira fase do projeto consistiu da criação de um negócio de cartões de felicitações que venderia mais de 10,000 cartões no primeiro ano de atividade. O programa expandiu-se e formou o Minaake Project, que assistia  indivíduos de comunidades indígenas lidando com dificuldades relacionados com a vida urbana. O projeto tinha dois grandes objetivos: ressuscitar o interesse pela cultura indígena através de um programa de partilha de aptidões, e o apoio a indivíduos de origem indígena a se ajustarem à vida urbana, ou a voltarem para as suas comunidades. O programa encerraria em 1997.

O Ponto de Encontro para Adultos muda-se para o 588 Queen St. West

Em 1995, o "Meeting Place Adult Drop-In" mudou-se da Queen Street United Church para o antigo edifício do banco CIBC, no 588 Queen Street West. Alguns dos escritórios administrativos e financeiros da Casa também se mudaram para este novo local. Esta mudança procurava corresponder às necessidade crescentes do programa para adultos, que necessitava mais espaço. A mudança resultou num aumento do número de participantes, especialmente nos meses de Inverno. A possibilidade de lavar a roupa, tomar um duche, usar o telefone, beber um café, conversar e ter algum contacto social eram cruciais para os participantes que viviam na rua ou em habitações com fracas condições. No Ponto de Encontro, os membros podiam também frequentar aulas de culinária, participar num clube de fotografia ou de escrita, ou consultar um enfermeiro, dentista ou assistente legal.

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