Casa São Cristóvão, 1912-2012: um século de serviços sociais em Toronto

Como um 'praticante geral', a Casa São Cristóvão ocupou um papel importante não só no desenvolvimento da comunidade da zona baixa-oeste da cidade, onde se encontra à cem anos, mas também no desenvolvimento dos serviços sociais e apoio a imigrantes na cidade de Toronto. Muitos dos programas desenvolvidos ou modificados pela Casa para assistir os residentes do seu bairro – a Créche, a Clínica para Bébés, aulas de ciências domésticas, enfermaria comunitária, programas pós-escolares em escolas públicas, o infantário, programas de literacia e Inglês como Segunda Língua (ESL), projetos de desenvolvimento comunitário, entre outras - foram retomados por outras organizações públicas e privadas depois de comprovados os seus efeitos positivos. A disponibilidade do assistentes sociais e do Conselho Diretivo para testar novos programas e métodos de trabalho mantiveram a Casa São Cristóvão fléxivel e acessivel às necessidades da comunidade que serve.
Ao longo dos anos, a Casa viu-se confrontada com várias mudanças e desafios. A Igreja passou de patrono e benfeitor a parceiro, e finalmente tornou-se um de vários doadores da Casa. Patronos endinheirados como Sir James Woods foram sendo substituidos por fundos da United Way, subsídios do governo, fundações e eventos de angariação de donativos. A programação inicialmente centrada num edifício cedeu gradualmante a uma maior descentralização. A própria programação mudou os seus objetivos e integrou novos conceitos e práticas, como o desenvolvimento comunitário nos trabalhos da Casa. Os objetivos de fortalecer os membros da comunidade e ajudá-los a serem independentes substituiram as intenções inicias da Casa - Canadianizar e Cristianizar. Através de todas estas mudanças, a forte ligação entre a Casa São Cristóvão, a comunidade e as necessidades dos imigrantes esteve sempre em constante evidência.

Os imigrantes portugueses e seus descendentes que começaram a preencher os programas da Casa São Cristóvão desde os anos 1950, muitos desses vocacionados especialmente para essa comunidade, eram na década de 2000 uma das comunidades mais expressivas na Casa, não só no número de participantes, mas também entre voluntários e trabalhadores. Em grande parte, os imigrantes portugueses que utilizaram os recursos e beneficiaram do apoio prestado pela Casa São Cristóvão durante os anos de migração, são hoje os mesmos que prestam semelhante apoio às novas gerações de imigrantes que continuam a chegar à cidade. Esse é talvez o melhor testemunho do sucesso da Casa São Cristóvão ao longo dos anos em contribubuir para o desenvolvimento das capacidades de independência e liderença junto dos mais desfavorecidos, e da criação do espírito de comunidade e apoio mútuo nos bairros a que se dedica.

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